domingo, 29 de novembro de 2009

A pandora intelectual e para onde fomos.

Fernando Henrique Cardoso não resistiu, segurou-se, conteve-se, remexeu-se até que depois de sete anos de governo Lula escreveu um artigo incisivo e, no mínimo insinuoso, sobre o governo Lula e a escolaridade do presidente.
De fato, Fernando Henrique está correto em citar a preocupação com a “cooptação" de Lula com os sindicatos e movimentos como a UNE. Entretanto, é bom lembrar que uma aproximação maior de Lula com os sindicatos é natural, devido ao fato que o presidente saiu deste meio.
No PT tem se percebido um corporativismo exarcebado, criticado, inclusive, por parte dos próprios petistas.O governo federal tem gastado, em grande parte, com a máquina administrativa em detrimento de projetos estratégicos vitais para a nação. Isto é comprovado pelo déficit que o governo espera ter neste fim de ano que, segundo Guido Mantega, pode passar de sete bilhões.
Portanto, o problema da crítica de FHC não está necessariamente em grande parte do conteúdo de seu artigo, que em partes, seria, realmente plausível. Mas o maior problema de FFHH (esta sigla foi uma crítica do colunista Elio Gaspari à emenda da reeleição e, por FHC se achar “soberano” demais), está na hipocrisia do ex-presidente e nos números. Mesmo através de comparações proporcionais nas estratégias de ações econômicas dos dois governos. Primeiro, um tucano pode dizer que foi o PSDB e FHC que implantou o plano real, entretanto, não é isso que os ex-integrantes do Ministério da Fazenda do governo Itamar Franco dizem.
Segundo o documentário “Um Laboratório Chamado Brasil” de Roberto Stefanelli (vídeo abaixo)  que, os tucanos sabem mas não comentam, os verdadeiros responsáveis pelo plano real foram membros, técnicos, economistas e outros que faziam parte da equipe econômica do governo Itamar Franco.
FHC pegou os méritos do plano real, pois era ministro da fazenda no governo Itamar, na época não havia reeleição. Assim, o PMDB continuou seu fisiologismo, ganhando ministérios no governo FHC e as eleições em vários Estados. Portanto, FHC não seria o maior responsável do plano real. Além de não ter sido o protagonista daquele plano econômico, FFHH ensinou Hugo Chávez e muitos políticos da América Latina como se fica mais tempo no poder. Pois, foi no governo do PSDB que foi aprovado a emenda da reeleição. Em 1997, antes de Hugo Chaves (que acabou prorrogando reeleições por tempo indeterminado), antes de Rafael Correia no Equador, antes de Evo Morales na Bolívia, antes de Manoel Zelaya querer implantar reeleição em Honduras.
A emenda da reeleição feita por FFHH, segundo denúncias, foi às custas de um mensalão de R$ 200.000 (duzentos mil reais), para cada parlamentar, mais o direito aos congressista de disputarem eleições para o executivo em seus estados, sem perderem seus mandatos (esta última, mais que comprovada).
Tanto faz o corrupto extorquir R$ 1,00 ou R$ 150.000, é extorção  do mesmo jeito. O mensalão do Lula seria de R$ 30.000 e o do FFHH de 200.000.
FFHH não tem moral para falar de autoritarismo, pois o mensalão da reeleição praticamente não foi levado à público nas suas devidas proporções e, o mensalão denunciado por Roberto Jéferson foi publicado diariamente na imprensa por um bom tempo.
Portanto, percebe-se uma cooptação maior entre FFHH e parte da mídia. FFHH, ficou com medo de perder a reeleição por causa do tamanho do “investimento” do mensalão 'psdebista', então, passou a ameaçar o país com crises internacionais, como uma “ditadura do medo” do país quebrar. Desta forma, o ex-presidente aprovou medidas provisórias, como a que dá o direito ao executivo federal gastar 20% do orçamento com o que quiser, o que seria para pagar juros e não investir em educação, saúde, etc.
FFHH, com sua enorme intelectualidade, para assegurar sua reeleição, colocou o plano real em uma “banda econômica”, ou seja, o real tinha um teto de valor máximo e um piso de valor mínimo. Cabia ao Banco Central e ao sacrifício de nossos bolsos através de impostos, de manter esta meta eleitoreira do intelectual.
A inteligência de FFHH foi tão grande que ele gastou cerca de 40 bilhões de reais ( moeda que tinha quase o mesmo valor do dólar) em apenas uma semana para manter o câmbio dentro da "meta". Outros bilhões em reservas desapareciam em dias para manter a "estabilidade". Para conseguir isso, vendeu a Vale do Rio Doce  (até os favoráveis às privatizações condenam os valores das vendas das estatais), foi vendida pela bagatela de um cheque de 3,3 bilhões de reais. Atualmente, só o lucro da Vale do Rio Doce gira em torno de 22 bilhões, ou seja, só de lucro, a empresa tem sete vezes o valor de sua compra.
De 1994 a 1998 a dívida interna do Brasil aumentou de em torno de 200 bilhões para 400 bilhões de reais (de 20% para 40% do PIB da época), ou seja, o intelectual dobrou a dívida pública com a principal finalidade eleitoreira de manter o câmbio. Para fazer isso teve que vender as estatais.
Se o  dinheiro da venda das estatais fosse empregado em ações sociais de governo como na saúde e educação e houvesse concorrência entre as empresas, os tucanos poderiam até terem uma justificativa um mínimo plausível. Só que o dinheiro evaporou-se no mercado especulativo e o câmbio acabou sendo liberado com a maxidesvalorização do real em 1999, logo depois das eleições de 1998. Isso tudo, quebrou o país e fez o intelectual se ajoelhar diante dos mercados financeiros e FMI.
Posteriormente, FHC deixou a dívida pública no final do seu governo a 58% do PIB, mesmo tendo vendido as estatais. As privatizações de Fernando Henrique desagradaram até mesmo parte dos liberais da direita pois, as privatizações foram feitas priorizando monopólios regionais (Telefônica em São Paulo, Brasil Telecom (na época) no Centro - Sul - Norte, "Oi" no Nordeste e Vivo etc). Estas empresas tinham direitos exclusivos de explorar os mercados de suas respectivas regiões por cerca de cinco anos, o que fez as tarifas brasileiras estarem entre as mais caras do mundo no setor de telecomunicação. Cadê a livre concorrência liberal pregada pelo PSDB?
Assim, para não ter uma crise de credibilidade maior, com os cartolas do sistema financeiro, FFHH criou o PROER, programa de ajuda aos bancos que forneceu cerca de 13 bilhões dos nossos bolsos à banqueiros. Para que isso tudo? Para nada, pois depois de sua reeleição, FFHH simplesmente liberou o câmbio com a maxidesvalorização em 1998 e, seu governo foi suspeito de fornecer informações privilegiadas a bancos. Para quê? Em troca de picolés?
O Brasil tinha torrado suas reservas internacionais para nada, estava falido por causa da intelectualidade de FFHH.  Me lembro do então ministro da fazenda Pedro Malan dar uma entrevista desesperada em torno de 1998 (quem a tiver que poste) sobre a situação do país. Assim, caros leitores, o FMI "fez o que quis" com os brasileiros, vinha aqui dar palpites para dizer o que o país tinha que fazer por “meros 42 bilhões”. Hoje o Brasil tem uma reserva de 230 bilhões de dólares (mais de trezentos bilhões de reais). 
Para atrair capital e a estabilidade econômica não acabar de vez no Brasil, o intelectual aumentou as taxas de juros na maior da história, na estratosfera de mais de quarenta por cento para tentar segurar o dólar. Atualmente, as taxas de juros estão na casa dos 8% (a menor da história).
FFHH, também teve que cooptar com os bancos, suas medidas desastradas através das “bandas” do real e do câmbio fixo e, posteriormente a maxidesvalorização fizeram muitos bancos quebrarem, então, o intelectual criou o PROER, programa de ajuda aos bancos. Hoje estes bancos não precisam do PROER, pois a economia em si só, os fizeram conceder a maior quantia de créditos da "história deste país".
De fato, o governo Lula foi beneficiado pelo cenário econômico internacional, mas sobressaiu-se na considerada maior crise depois de 1929, a do ano passado (a desculpa de FFHH foi que, seu governo passou por várias crises como a asiática).
Então, em torno de 2000 FFHH colocou a culpa do seu mal governo na mitologia grega, comparou o Brasil  a uma “caixa de pandora”. Assim, aparentou querer se eximir de culpa.
A caixa de pandora, segundo a mitologia grega seria a caixa onde estaria todos os males do mundo.
FHC é  a síntese de uma parte da comunidade acadêmica que produz trabalhos científicos que ficam nas bibliotecas por décadas e não contribuem para a melhoria da sociedade, nas férias, viajam o Brasil e o mundo com dinheiro dos nossos bolsos.
Para alguns acadêmicos, a culpa pela tragédia de grande parte da gestão pública brasileira é apenas da “caixa de pandora”, do “imperialismo”, da “cooptação dos sindicatos”, da “esquerda”, da “direita” e até da “massa proletária”. A desculpa em grande parte da academia é a “falta de verba”, só que as universidades públicas no Brasil consomem cerca de 70% de todo orçamento para a educação, só 30% vai para a educação básica.
Se FHC disse para “esquecer” o que ele foi para que serviu sua produção acadêmica? Produções acadêmicas como as de John Forbes Nash Jr, produzida há décadas, são utilizadas em sistemas econômicos de muitos países até os dias atuais.
Há outros casos das práticas do intelectual FHC, como os escândalos do Eduardo Jorge, os fundos de pensão a Daniel Dantas e vários outros que podemos deixar para outras oportunidades.



Fontes: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2703129.xml&template=3898.dwt&edition=13422&section=1012
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/10/29/materia.2009-10-29.3280029683/view
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=342ASP004
Documentário: “Um Laboratório Chamado Brasil” de Roberto Stefanelli
http://pt.wikipedia.org/wiki/Governo_Fernando_Henrique_Cardoso#A_emenda_da_reelei.C3.A7.C3.A3o
http://www.dcomercio.com.br/muco/Materia.aspx?id=20121&canal=12
http://www.cefetsp.br/edu/eso/dividainternafabio.html
http://www.portalaz.com.br/noticia/brasilia/97614_folha_ciro_gomes_diz_que_lula_e_fhc_se_acomodaram_com_o_patrimonialismo.html


6 comentários:

  1. Rapaiz!
    Né rasgando seda não mas o texto ficou excelente!
    Vou por o link no meu twitter já!
    parabéns!

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  2. Gostei demais das colocações, principalmente a parte dos trabalhos científicos "irrelevantes" dos nossos pesquisadores.
    Este texto poderia ajudar a refrescar a memória da população nas eleições de 2010. E nos remonta aos idos tempos de 130 reais de salário mínimo (1997).
    Parabéns pela crítica.

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  3. Faz história, na UFG, bom só falta ser fâ do Hugo Chavez e ser do PSTU, texto mediocre e tendencioso, porque não fala do PROER, já que foi uma das causas que possibilitou sairmos da crise internacional.
    E a Vale, hoje uma das maiores mineradoras do Mundo, e porque não fala que o Lula continuou a política econômica do FHC.
    Mas o principal é o sequinte, não vão postar meu comentário, pois eles adoram uma censura.

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  4. O texto fala do PROER sim, mas o PROER foi criado justamente por causa das lambanças de Fernando Henrique de ter tentado manter o câmbio, ter feito com que o Brasil perdesse capital de investimentos e, para compensar, FHC aumentou as taxas de juros a mais de 40%.

    Ficou mais que provado que o câmbio flutuante não levaria a inflação de novo na estratosfera.

    O câmbio se auto regulou com aumento das exportações depois da maxidesvalorização de 1999.

    O dinheiro que o país economizaria com a liberação antecipada do câmbio (como muitos economistas "clamaram" na época), dava para investir no setor produtivo muitas vezes mais.

    Depois de 10 anos, está mais que comprovado que o correto seria liberar o câmbio. Não precisava elevar as taxas de juros a mais de 40% para equiparar o real na mesma média de valor ao dólar na época. O que parece que foi uma atitude eleitoreira ou um enorme medo de FHC de voltar a inflação.

    Com o câmbio flutuante o BC não queimaria tantas reservas, não aumentaria tanto as taxas de juros para manter o câmbio. Portanto, não aumentaria a dívida com investidores no mercado especulativo. Sobraria mais dinheiro e não haveria a necessidade de emitir mais moedas mesmo sem aumentar as taxas de juros.
    O próprio Delfim Neto diz no vídeo que foram torrados "130 bilhões de dólares" só de dinheiro de investidores no mercado especulativo em quatro anos.

    Mas atitudes medíocres do ponto de vista administrativo é um ex-presidente do Banco Central passar informações privilegiadas a banqueiros e o governo vender cerca de 1,6 bilhões de dólares ao Banco Marka e, a Salvatore Cacciola pouco antes da desvalorização cambial em 1999.

    Talvez, Fernando Henrique tenha segurado o câmbio para ajudar foragidos como Salvatore Cacciola. Ele é muito bonzinho. Ajuda os amigos.

    Não sou do PSTU, aliás dentro deste sistema partidário brasileiro, é difícil filiar-se a um partido, pois em breve o mesmo pode ter um deputado pondo dinheiro em uma das partes do corpo, recebendo propina, ou barganhar ministérios e secretarias em governos, independetemente de correntes ideológicas, desrespeitando as bases. Assim, talvez não ficaria muito tempo em um partido. Por isso, também sou apartidário.

    Pode fazer sua crítica como quiser, desde que não haja ofensas pessoais, pois ofensas significam falta de conteúdo. Espero que não seja o seu caso pois,chamar simplesmente um texto de "medíocre" e de membros de partidos "A" ou "B", sem saber ao certo se é filiado ou não, já parece termos parciais, e as vezes, desrespeitosos e, por que não, tendenciosos.

    Abraço!

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  5. O texto já comenta sobre a Vale, que FHC não iniciara sozinho a política cambial do real e que, as privatizações não seguiram a risca nem a cartilha (neo) liberal do PSDB. Não vejo a necessidade de comentar isso novamente.

    Falar sobre censura, quando o PSDB é acusado de bancar um mensalão de cerca de 200 mil reais no congresso, para cada parlamentar, que a minoria da população brasileira sabe e, quando o governo do PSDB praticamente "expulsou" jornalistas daqui de Goiás como o Jorge Kajuru, parece no mínimo cômico.

    Agora, se Lula tivesse seguido a risca as metodologias de FHC, provavelmente estaríamos perdidos.

    FHC aumentou os juros na estratosfera para tentar manter a inflação, em vez disso, o governo Lula aumentou os compulsórios nos bancos (assim, diminuiu a circulação da moeda, que contribuiu para manter a inflação baixa) e aos poucos, abaixou as taxas de juros na menor da história.

    Os impostos na época de FHC subiram de cerca de 28% para 32% do PIB, para aumentar a arrecadação e utilizá-la no pagamento de juros da dívida externa. Apesar dos impostos estarem no mesmo patamar do governo FHC, altíssimos, o governo Lula, para enfrentar a crise, diminuiu impostos como o IPI dos eletrodomésticos de "linha branca", além da diminuição das taxas de juros. Assim, o país passou mais imune a crise.

    Há várias outras ações diferentes que obtiveram resultados totalmente inversos entre os governos Lula e FHC que, prefiro deixar, se possível, para comentar em outro momento.

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